domingo, 30 de outubro de 2011

Globo Mar acompanha de perto barco de pesca industrial em mar aberto

O Globo Mar foi até Itajaí, Santa Catarina, centro da pesca industrial moderna no Brasil, onde estão os barcos mais bem equipados. São eles os responsáveis por colocar a comida na mesa dos brasileiros e de muitos estrangeiros, já que parte da produção vai para o exterior.

  
O tempo não parecia ajudar: ondas de cinco metros de altura tornariam o transbordo, a passagem de um barco para outro, complicado. Após uma conversa com os comandantes dos navios, foi decidido adiar o embarque para depois da tempestade. Depois de cinco dias, o tempo melhorou e ficou mais ensolarado, mas continuou frio.
A equipe do Globo Mar saiu da cidade pelo Rio Itajaí Açu até o Atlântico. São três dias de viagem no Elias Seif, pesqueiro que pertence a uma das frotas de pesca mais modernas de Itajaí. Mas a pesca mesmo vai ficar por conta do Rei do Atum.
Para chegar até os melhores peixes, que nadam em águas profundas, é preciso navegar pelo menos 20 horas. O comandante do barco de apoio, Rogério Lima, explica que, dependendo do mês, determinada área tem mais peixe. Isso é mapeado, e a decisão para onde ir é do mestre do barco. Rogério também explica que a pesca reflete a demanda do mercado, não o que está disponível no mar: “É o que o mercado está comprando”, conta.
No segundo dia do mar de Santa Catarina, chega a hora do Rei do Atum mostrar o seu valor. A pesca será com o espinhel, um longo fio de nylon, com mais de 70 quilômetros, cheio de anzóis e iscas apetitosas, que podem atrair até o albatroz. Para evitar que as aves sejam fisgadas sem querer, o barco ergue um curioso espantalho marinho. Sem o roubo das iscas pelas aves, a pesca aumenta 15%.
Segundo o consultor e biólogo Marcelo Vianna, o melhor horário para capturar os peixes carnívoros, que comem outros peixes e moluscos, é o crepúsculo, tanto do anoitecer quanto do amanhecer.
O princípio da pesca por espinhel é simples: são anzóis colocados ao longo de uma grande linha. Mas com algumas sofisticações, como um pequeno bastão que brilha e atrai os peixes. A cada 15 segundos, um apito avisa que é preciso colocar um anzol na linha. Depois de um tempo, está formado o espinhel, com 1.200 anzóis. A técnica foi introduzida no Brasil na década de 50 por japoneses a convite do governo brasileiro. Na década de 90, foi inovada por americanos: um enorme rolo passa a liberar a linha aos poucos no mar.
Quando o apito é duplo, um dos marinheiros sabe que é hora de colocar uma boia na linha, para ajudar a localizar o caminho na hora de voltar, no dia seguinte. Além das boias coloridas, são lançados marcadores especiais: as boias-rádio. Elas têm longas antenas e transmissores, que enviam ondas de rádio que dão a pista de onde a correnteza levou o equipamento. Depois de sete horas colocando isca na água, a linha é cortada e começa a espera. O espinhel trabalha sozinho.
O pesqueiro está 200 quilômetros distante da costa. Chega a hora de localizar o espinhel, que teria sido levado para 10 quilômetros de distância da posição do barco. Depois de localizar o espinhel, o comandante muda a configuração do barco: ele vai para uma torre, onde tem um controle remoto do leme e do motor. Ele controla o barco e tem uma visão perfeita do que está sendo recolhido.
A meca, peixe muito valorizado no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos, chega a custar R$ 36 por quilo lá fora. A carne é branca, bastante gordurosa, e costuma ser feita na chapa ou na grelha. O peixe-prego, bastante consumido nos restaurantes japoneses, em forma de sashimi, chega a valer R$ 18 na peixaria.
Muitos peixes que chegam ao barco possuem uma marca redonda, uma ferida nas escamas, que é feita pelo tubarão piloto, que é um tubarão de pequeno porte e tem uma boca do tamanho de uma tampa de garrafa PET. Ele ataca os peixes, golfinhos, baleias, tira um pedaço de carne e vai embora.
Os pescadores querem pegar os tubarões grandes, como o tubarão azul. Na hora da captura, eles já cortam a cabeça, para ele sangrar e parar de se mexer. Depois, enfiam um longo espeto na coluna vertebral do animal.
Há um cálculo de que 70 milhões de tubarões são mortos ao longo do ano pelos mares do planeta, e os especialistas alertam que muitas espécies estão a ponto de desaparecer. Em muitos casos, eles nem vendem a carne, usada como alimento. O alvo é a barbatana, considerada um afrodisíaco na Ásia, onde ela é consumida em forma de sopa e demonstra status social. Em alguns lugares, a barbatana é mais consumida que a própria carne, e vale mais a pena jogar fora a carcaça do tubarão e ficar só com a parte que interessa.
No mercado internacional, a barbatana do tubarão alcança certa de US$ 100 por quilo. Já a carne, vale R$ 3,50 no mercado nacional. Para evitar a crueldade com o animal, a legislação brasileira obriga que, a cada cinco quilos de barbatana, a embarcação leve 95 quilos de charuto, que é o corpo do tubarão sem a cabeça e as vísceras. Como a fiscalização não dá conta de vigiar, em vários países, como nos Estados Unidos, a solução foi proibir a retirada da barbatana no barco. No Havaí, é proibido consumir a barbatana do tubarão.
A pesca vive um impasse atualmente: o brasileiro começa a consumir mais peixe, apesar de consumir menos do que recomenda a Organização Mundial de Saúde. Mas, se todos passassem a consumir mais peixe ainda, o que tem no mar não seria suficiente.  A cada ano, tem menos peixe para ser pescado e mais gente para consumir. A conta não fecha, e a alternativa seria o cultivo de peixe.

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